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Pais: vocês já dormiram com os seus filhos?

11 de Agosto de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Marcelo Oxley, jornalista

É preciso, com alguma cautela, contrariar toda e qualquer mística que há em relação aos "bons modos" e de como educar os nossos filhos.

Aos especialistas e queridos pediatras, peço sinceras desculpas pelas seguintes linhas que escreverei. Mas existem sentimentos e acontecimentos em nossas vidas que vão de encontro a qualquer dica ou consulta a que somos submetidos. Aos mais velhos, também peço perdão por muitas vezes não seguir os seus valiosos conselhos.

Entendo e compreendo a importância, numa família, em todos terem o seu espaço, os seus breves ou longos momentos. Quando pequenos, se não forem devidamente doutrinados, os nossos filhos podem, de certa forma, "atrapalhar" a vida de um casal. É fundamental que tudo tenha um limite.

Por outro lado, você já perdeu uma bela noite de sono por tentar dormir com o seu filho? Sim, deitar em sua pequenina cama, ofertando-lhe o maior espaço, o melhor travesseiro, contando-lhe uma fascinante história e dormindo antes dele? Você já foi acordado por aquele: "Papai, acorda! Você não pode dormir antes de mim". E então, você desperta com o sentimento "destroçado", por não conseguir escutar uma linda história de um lagarto que queria voar ou o dragão que cuspia fogo. Mas, o seu dia de trabalho e as tarefas como pai, fizeram com que o seu corpo e sua mente já não obedecessem mais àquele especial e único momento.

Na manhã seguinte você ainda precisará ser silencioso; qualquer passo em falso poderá acordá-lo e, então, se prepare, pois por mais uma maravilhosa oportunidade você deverá entrar em seu mundo mágico e de inúmeras possibilidades. Se porventura, esta passagem acontecer numa manhã em que você não tiver um compromisso, delicie-se. Mas, se houver uma tarefa, cuidado: a mesma poderá esperar, uma vez que a vontade de ficar naquele "circo de imaginação" e com o seu tesouro poderá ser predominantemente fatal aos seus afazeres.

Estes seres levam consigo o dom da paixão. Trazem a facilidade e o gostoso absurdo de "pedir chorando", e nós, pais extremamente apaixonados, temos que ter a delicada tarefa, de "fazer sorrindo". Trata-se do maior duelo passivo, divertido e desonesto (pois eles sempre vencem) da vida. Uma vida que quando você piscar os olhos, já terá passado.

Filhos não nascem precisos. Não devem ser moldados conforme os anseios e expectativas do mundo. É necessário deixá-los crescer, segundo a base de seus pais. E que esse alicerce seja de convicções, mas que também venha acompanhado de todas as "verdades", doa a quem doer. Porém, é fundamental que o espírito de criança e de proteção não se desfaça com o tempo. Regras, por vezes, podem nos punir num futuro bem próximo.

Você pode, ou melhor, você deve dormir, nem que seja por apenas uma simples noite, com o seu filho. Independentemente da idade em que vocês estejam. Será naquele momento que tudo será dito em voz baixa e leve. Não haverá o medo do escuro e do fantasma, uma vez que vocês estarão se protegendo. Não existirão segredos, visto que, em sonhos, tudo se torna mais verdadeiro. Você ainda será abraçado por nada e sem migalhas. O seu sono terá outro gosto, sentido.

Tente aproveitar qualquer momento e espaço com os seus filhos. Clichê, mas o tempo voa. Ontem estavam com dois, cinco anos. Hoje, já pedem para ir ao cinema com os seus melhores amigos. Não se puna demasiadamente, se você não tiver seguido o "correto". A única coisa que há de errado, é você não usufruir cada segundo com eles.

Logo, o futuro agradecerá.


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