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O ataque ao agronegócio brasileiro

10 de Agosto de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Eduardo Allgayer Osorio, engenheiro agrônomo, professor titular da UFPel, aposentado

A hostilidade contra o agronegócio brasileiro não cessa e a investida mais recente vem da Human Right Watch (HRW), uma ONG norte-americana de defesa dos direitos humanos que passou a exigir, em horário nobre da TV, a retirada do projeto de lei que busca facultar aos produtores rurais o emprego de defensivos agrícolas modernos, mais eficientes, pouco tóxicos ao homem e menos agressivos ao ambiente.

Não soa estranho uma ONG estrangeira, tradicionalmente dedicada à defesa dos direitos de mulheres, crianças e indígenas, subitamente voltar-se para assuntos do agronegócio? Para entender o que acontece é preciso conhecer o que se passa nos bastidores.

A Open Society Foundation, entidade "filantrópica" mantida pelo megainvestidor George Soros, doou, em 2010, cem milhões de dólares à HRW com o fito de "expandir sua presença global aos países emergentes do Hemisfério Sul", passando a destinar 30 milhões de dólares/ano para as atividades desenvolvidas no Brasil.

No site oficial da HRW consta, como estratégia, "desenvolver nos países onde atua relacionamento com o jornalismo de maior audiência local" (entenda-se: "pagar a veiculação de matérias de interesse dos seus patrocinadores"), aplicando vultosos recursos no ataque aos valores nacionais, manipulando de forma subliminar a vontade das pessoas contra seus próprios interesses, contando para isso com a ajuda de artistas locais renomados, militantes da esquerda festiva. A tática empregada é eficiente: usando meias-verdades escamoteiam os fatos. Como arautos do bem-estar e da defesa do meio ambiente manipulam a boa vontade dos que almejam uma vida saudável, num ambiente preservado, escondendo de forma insidiosa os reais e escusos objetivos das ações que empreendem.

Para entender esse imbróglio é preciso ter em mente que o agronegócio brasileiro tornou-se um "case" de sucesso mundial, altamente competitivo com outros países produtores de alimentos, fibras e commodities, convertendo-se num incômodo competidor a ser brecado, encarregando-se as ONGs internacionais de executar essa tarefa, com ampla acolhida em expressivos setores da mídia nacional (que obviamente recebe por isso).

A WWF (World Wildlife Fund For Nature), fundada e financiada pela gigante Royal Dutch Shell, recebe vultosos aportes financeiros de inúmeros investidores. Dentre suas estratégias está atuar junto aos bancos internacionais para criar entraves, pretensamente ambientalistas, visando bloquear a expansão do agronegócio nos países competidores, como o Brasil. Um exemplo disso foi ter lançado, em 2014, o Environmental, Social & Governance Integration for Banks, um guia sobre "como as instituições financeiras devem adotar práticas de negócios sustentáveis e direcionar investimentos para os negócios verdes", denunciando na mídia quanto o agronegócio dos países competidores é poluente. Mais recentemente o Superintendente de Políticas Públicas da WWF do Brasil, Jean-François Timmer, declarou que "o mercado internacional deveria exigir salvaguardas às importações" de commodities consideradas não alinhadas, como as brasileiras.

O Greenpeace tem dentre seus maiores financiadores a Turner Foundation, do magnata Ted Turner (CNN, Time Warner e outras), proprietário de 14 ranchos cujas áreas somadas excedem a de dois estados norte-americanos juntos; a Rockefeller Foundation, cuja família é a principal acionista da Standard Oil Company, o maior conjunto petroleiro dos EUA; a John & Catherine MacArthur, a maior fundação privada dos EUA, com dotação financeira da ordem de sete bilhões de dólares; a Marisla Foundation, dos descendentes do magnata do petróleo Jean Paul Getty; da David & Lucile Packard Foundation (Hewlett-Packard) e inúmeras outras mantidas por grandes operadores do mercado financeiro internacional.

Esses senhores, depois de devastarem o meio ambiente em seus países e em outros onde atuaram, apresentam-se hoje como "salvadores da natureza". Dá para acreditar nos bons propósitos dessa gente?


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