Editorial

Mais ações do estado contra o tabagismo

17 de Outubro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Um total de 68% dos fumantes e 77% dos não fumantes apoiam ou apoiam fortemente a proibição total de produtos de tabaco nos próximos dez anos, considerando que o governo forneceria tratamento para ajudar as pessoas a abandonarem o vício. As informações estão no Projeto Internacional de Avaliação das Políticas de Controle do Tabaco (Projeto ITC), criado para medir o impacto das ações da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os dados nacionais (Projeto ITC Brasil) foram divulgados durante o Congresso Inca 80 Anos: Desafios e Perspectivas para o Controle do Câncer no Século 21.

O forte apoio revelou algumas contradições associadas à causa. "Mostra a discrepância do que os fumantes e não fumantes querem que os governos façam e aquilo que os governos realmente fazem", destacou o investigador principal do Projeto Internacional ICT, Geofrey Fong, do Departamento de Psicologia e Instituto para Pesquisa em Câncer do Canadá.

O especialista destacou dois pontos nas campanhas de comunicação contra o cigarro: as imagens impactantes dos danos à saúde causados pelo produto na frente das embalagens e o banimento dos displays nos pontos de venda. No primeiro caso, Fong citou o fato de que, dos dez países desenvolvidos pesquisados, o uso das imagens nas embalagens como advertência sanitária só não reduziu o consumo na França e no Reino Unido - justamente os que não colocaram as imagens na frente das embalagens. O Brasil não fez isso ainda e os resultados são pouco significativos.

Investigadora principal do Projeto ICT Brasil, a psicóloga Cristina de Abreu Perez, da Fundação do Câncer, lembrou que a literatura mundial diz que o texto não tem o impacto adequado, como advertência sanitária, enquanto as imagens são mais efetivas. O país foi o segundo do mundo, em 2001, a implementar advertências sanitárias com imagens nas embalagens de produtos do tabaco. Quanto ao banimento dos displays nos pontos de venda, há um consenso entre os pesquisadores dessa importância: o Brasil deve efetivá-lo via parlamento.

E aqui a pesquisa do Projeto ITC Brasil volta a revelar o forte apoio de fumantes e não fumantes a duas políticas-chave para reduzir a publicidade e a promoção de produtos de tabaco: proibir a exibição nos pontos de venda e padronizar as embalagens de cigarros. E surpreende o maior interesse entre os não fumantes: 86% aprovam o fim dos displays em lojas e 56% são a favor das embalagens padronizadas.

*Com informações do Inca


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