Elevação

Bolsa Família volta a crescer em Pelotas

Após pente-fino em 2016, houve diminuição de mais de mil registros, mas agora aproximou-se do índice anterior

09 de Agosto de 2018 - 20h42 Corrigir A + A -
Número de beneficiários caiu, mas voltou a aumentar na cidade (Foto: Jô Folha - DP)

Número de beneficiários caiu, mas voltou a aumentar na cidade (Foto: Jô Folha - DP)

A concessão do Bolsa Família voltou a crescer em Pelotas. Após a queda no número de registros, a partir da criação do Comitê de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas Federais (Cmap), os dados do Ministério do Desenvolvimento Social apresentam aumento superior a mil cadastros em menos de um ano. No país, 5,2 milhões de famílias foram excluídas após este pente-fino, mas outras 4,8 milhões entraram no programa.

Em um primeiro momento, em novembro de 2016, 629 beneficiários pelotenses foram bloqueados por inconsistências encontradas. Se em agosto daquele ano Pelotas possuía 7.596 cadastros, os dados do mesmo mês do ano seguinte apontam queda para 6.232 famílias inscritas, diminuição de 1.394 registros. No entanto, os dez meses seguintes apresentaram aumento e atualmente Pelotas aproximou-se dos números de antes do controle: agora são 7.374 cadastros.

Para o titular da Secretaria de Assistência Social (SAS), Luiz Eduardo Longaray, o crescimento nos índices ocorre por diversos fatores. Um deles é a descentralização dos Centro de Referência de Assistência Social (Cras), aproximando-se da comunidade. A expectativa é de nos próximos meses contratar mais funcionários para a pasta e aproximar-se desta população. Quem recebe o benefício possui algumas obrigações, como manter visitas frequentes às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e as vacinas atualizadas. Às gestantes é importante manter o pré-natal e aos menores de idade evitar a evasão escolar. Para conscientizá-los disso é que a SAS pretende estreitar a proximidade com tal público.

Justamente para isso que a beneficiária Ana Paula Viegas procurou a Secretaria no final do mês passado. Mãe de oito filhos e vivendo com quatro, recebe R$ 426,00 do programa há cerca de três anos. Anteriormente, teve seu Bolsa Família cancelado porque a mais velha das filhas deixou de ir à escola. Agora, estava em vias de perder novamente, pelo mesmo motivo. Porém, a filha mudou-se e foi retirada do núcleo familiar no Cadastro Único. Após resolver os problemas, ela comemorou. "Me ajuda muito. É a única renda que tenho."

Atualização cadastral
O Índice de Gestão Descentralizada (IGD) para os municípios mede mensalmente as taxas de atualização cadastral e de acompanhamento das condicionalidades de educação e saúde dos beneficiários. Este índice varia entre 0 e 1. Atualmente, o de Pelotas está em 0,75. Segundo Longaray, esta diferença aparece justamente por alguns beneficiários ainda não cumprirem as obrigações mencionadas anteriormente.

A cobertura do programa estende-se por 41,69% em relação à estimativa de famílias pobres do município, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social. Para Longaray, isso se dá devido à desatualização dos dados de algumas famílias no Cadastro Único, essencial para conseguir o auxílio. A contratação de novos funcionários deverá também ajudar a diminuir essa defasagem.

Os valores repassados em junho ultrapassaram R$ 1 milhão. Segundo o ministério, em média, cada família recebe R$ 141,42. Pelo menos 1.789 famílias estariam em condição de extrema pobreza sem a Bolsa Família. São elegíveis aqueles que possuem renda mensal de até R$ 85,00 por pessoa ou entre R$ 85,01 e R$ 170,00, caso tenham menores de idade em sua composição.


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