Crise na saúde

Santa Casa fecha 19 leitos da maternidade

O motivo é o atraso no repasse dos recursos estaduais

07 de Agosto de 2018 - 19h58 Corrigir A + A -
33 leitos foram desativados temporariamente na Santa Casa (Foto: Carlos Queiroz - DP)

33 leitos foram desativados temporariamente na Santa Casa (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na maternidade, os corredores estão vazios. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na maternidade, os corredores estão vazios. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A situação financeira da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas beira ao colapso. Com os repasses do governo estadual em atraso desde o fim do ano passado, a instituição acumula dívidas com fornecedores e precisa parcelar a folha de pagamento. O reflexo disso é o fechamento de 19 leitos na Maternidade e 14 em outras alas do Sistema Único de Saúde (SUS). Por consequência, o Pronto-Socorro de Pelotas (PSP) está superlotado.

Por mês, o Estado repassa R$ 338 mil em incentivos à Santa Casa. Desde o fim de 2017, o dinheiro chega à conta da instituição com cerca de dois meses de atraso. A situação deve permanecer assim até o final do ano, conforme adiantou o secretário estadual de Saúde, Francisco Paz. Com isso, o déficit mensal do hospital ultrapassa R$ 1 milhão. De acordo com o provedor da Santa Casa, Lauro Melo, o governo estadual alega que esse recurso vem da União e também chega atrasado.

Na tarde desta terça-feira (7), o provedor esteve reunido com o ministro da Saúde para tentar uma verba complementar. Os esforços são feitos para evitar o fechamento de outros leitos destinados ao Sistema Único de Saúde. Até a tarde de terça-feira (7), 33 já estavam desativados. "Não queremos chegar ao ponto de precisar fechar a Traumatologia e a Cardiologia", frisa Melo. A Santa Casa é referência no pronto atendimento traumatológico na região.

A Maternidade é o cenário mais simbólico dessa crise. Desde a última sexta-feira os corredores, salas de parto, berçário e quartos estão vazios e escuros. O corpo clínico foi distribuído a outros setores. "Essa ala estava sempre lotada", lembra a técnica em enfermagem Duane Marques. Ela trabalha na Santa Casa há quase cinco meses e, desde que entrou, nunca recebeu o salário em dia. Os cerca de 1.030 funcionários ativos do hospital têm os vencimentos quitados em parcelas ao longo do mês.

Os 19 leitos da Maternidade ficarão sem pacientes por pelo menos 15 dias. Enquanto isso, a demanda será absorvida pelo Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), que preparou uma enfermaria emergencial para isso. Outras instituições da região também podem ser acionadas para atender as gestantes e os bebês. O Hospital Universitário São Francisco de Paula e a Beneficência Portuguesa abriram, juntos, dez leitos, para reduzir o impacto causado pelo fechamento de vagas na Santa Casa.

Esforço jogado fora
A Santa Casa de Pelotas luta, há anos, para colocar as contas em dia. Desde o ano passado, a gestão vem fazendo esforços para tentar diminuir o déficit nas contas. O trabalho estava dando resultado. Com cortes em alguns itens, a instituição chegava a economizar R$ 200 mil por mês. O atraso nos repasses estaduais, no entanto, voltou a bagunçar as finanças do hospital. "Isso descapitalizou a Santa Casa", aponta Lauro Melo.

Além de precisar fechar os 33 leitos, o hospital não tem mais dinheiro para despesas básicas. Até mesmo a compra de medicamentos está comprometida. O salário dos funcionários, sempre atrasado, precariza o atendimento. Nas últimas semanas, a Maternidade já não tinha mais pessoal para compor o plantão do fim de semana. "Se continuar assim, a Santa Casa vai fechar as portas", lamenta Melo.


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