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Dinheiro, pra que dinheiro?

Pesquisa revela que 4% dos brasileiros já não realizam mais pagamentos em espécie

01 de Agosto de 2018 - 11h15 Corrigir A + A -
Atrativo. As tarifas cobradas pelas operadoras vêm caindo para 
aumentar o acesso às máquinas. (Foto: Jô Folha - DP)

Atrativo. As tarifas cobradas pelas operadoras vêm caindo para aumentar o acesso às máquinas. (Foto: Jô Folha - DP)

Dois olhares. Isabete (E) não usa máquinas de cartão no seu 
estabelecimento, enquanto Verleda recorre ao equipamento nas vendas da loja. (Foto: Jô Folha - DP)

Dois olhares. Isabete (E) não usa máquinas de cartão no seu estabelecimento, enquanto Verleda recorre ao equipamento nas vendas da loja. (Foto: Jô Folha - DP)

Pesquisa do Banco Central (BC) mostra que quatro em cada 25 pessoas já não utilizam mais dinheiro vivo no país. Na última pesquisa, realizada em 2013, todos os entrevistados afirmaram usar essa forma de pagamento. Ao mesmo tempo, os cartões de débito e crédito vêm crescendo na preferência do brasileiro. Por outro lado, o número de reclamações sobre os cartões aumentou quase 30% em um ano.

A comerciante de Pelotas, Verleda Timm, afirma que a maior parte das vendas realizadas em seu estabelecimento é mediada pelos cartões. “Isso vem crescendo de uns anos pra cá”, percebe. Ela acredita que os clientes estejam deixando de utilizar dinheiro vivo nas transações para evitar possíveis assaltos. A possibilidade oferecida pelo cartão de parcelar as compras é outro motivo apontado pela lojista para explicar o fenômeno.

Apesar da tendência, alguns lojistas ainda não aceitam cartões. De acordo com o BC, o crédito não é admitido em 26% dos estabelecimentos, enquanto o débito não é aceito em 24% dos comércios entrevistados pela pesquisa. É o caso da lancheria de Isabete Oliveira. Ela tem o negócio há mais de 30 anos e não cogita a possibilidade de adotar a máquina de cartão. “Seria mais um gasto”, aponta, referindo-se às taxas cobradas pelos bancos.

O economista Ezequiel Megiato explica que a troca do dinheiro pelo cartão é um fenômeno nacional. “O cartão hoje atrai mais a atenção do cliente porque é um meio mais prático e seguro”, aponta. Além disso, ele afirma que os bancos e as operadoras das máquinas usadas para realizar as transações têm muito interesse em fazer este mercado crescer. Por isso, acabaram reduzindo algumas tarifas cobradas ou substituindo-as por aluguéis. “Existe uma modalidade adequada a cada tipo de negócio”, afirma.

O estudo aponta que 52% das pessoas possuem cartão de débito e 46% têm de crédito. Há cinco anos, 39% dos brasileiros usavam o crédito e 35% o débito. Este aumento pode ter sido estimulado, também, pela forma com que os salários são pagos. Em 2013, a maior parte das pessoas (51%) recebiam o pagamento em dinheiro vivo e apenas 29% tinham o salário depositado em conta. Hoje, a realidade inverteu: 48% dos trabalhadores são pagos em espécie, enquanto 29% recebem via depósito.

Reclamações aumentam
O crescimento no uso dos cartões coincide com o aumento no número de reclamações sobre o serviço. Um ranking do Banco Central mostra que, no primeiro semestre de 2017, as queixas apontando irregularidades relativas a integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços relacionadas a cartões de crédito e débito somavam 2.206. No mesmo período deste ano, foram 2.805 - um aumento de 27,2%. O crédito foi responsável por 92% das reclamações em 2017 e 86,2% neste ano.

E as moedas?
A pesquisa do BC revela que o uso de moedas vem diminuindo bastante. Se em 2013 apenas 9% dos entrevistados disseram não portar moedas, no último estudo 24% das pessoas afirmaram não usá-las. Além disso, 54% das pessoas que têm moedas utilizam-nas para facilitar o troco no momento das compras e 10% deixam no carro para pequenos pagamentos ou doações. O estudo mostra também que o brasileiro não tem o costume de verificar a autenticidade das notas que recebe. Quando se trata de cédulas de menor valor, como as de R$ 2,00, apenas 9% da população confere sempre se o material recebido é falsificado. Em relação às notas de R$ 100,00 o índice sobre para 43%. A maioria utiliza o item de segurança marca d’água para conferir a veracidade da cédula.


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