Saúde na UTI

Só resta aguardar

Pronto-Socorro de Pelotas (PSO) volta a registrar lotação e pacientes têm dificuldade de encontrar leitos hospitalares

19 de Junho de 2017 - 20h41 Corrigir A + A -
Movimento lota recepção do Pronto-Socorro de Pelotas na tarde desta segunda-feira; pacientes chegam a esperar até 21 horas por um leito (Foto: Jô Folha - DP)

Movimento lota recepção do Pronto-Socorro de Pelotas na tarde desta segunda-feira; pacientes chegam a esperar até 21 horas por um leito (Foto: Jô Folha - DP)

Cinco, sete e até 21 horas na espera por um leito vêm sendo o tempo de quem procura ou é encaminhado ao Pronto-Socorro de Pelotas (PSP).

Na tarde desta terça-feira (19), 74 pacientes esperavam a liberação de leitos e uma média de 60 pessoas o atendimento na recepção do local. Nos corredores, a cena é familiar para quem necessita do atendimento na unidade: superlotado de pacientes e familiares em um amontoado de macas e cadeiras.

Os parentes que só podem aguardar se preocupam. Rodrigo Less, 42 anos, acompanhava a esposa que teve um AVC. Ela teve que esperar 21 horas até conseguir um leito. A medicação por sonda foi garantida, mas o descontentamento ainda era o mesmo. “Tá horrível isso aqui. A gente entende que é difícil administrar (o Pronto-Socorro), mas tá cada vez pior. Não tem mais espaço pra tanta gente”, desabafou. Ele estava no local desde de a manhã do último domingo.

Tanta era a superlotação que havia quem preferiu esperar notícias do lado de fora, mesmo com as temperaturas baixas. Carmen Farias Carvalho, 45, aguardava a mãe: “É muita gente passando mal. Não dá nem pra caminhar pelo corredor, de tão cheio”. A mãe esperava por um leito desde as 8h. Muitos seguiram o exemplo e foram para a rua ou à recepção, mesmo que isso signifique permanecer em pé ou sentar no chão - como o autônomo José Antônio Rocha Tavares, 43. Ao lado da esposa, que fez uma cirurgia e agora enfrenta uma infecção, ele aguardava atendimento há cinco horas. “Não adianta reclamar. Ninguém vai atender”, conformava-se. A resposta que recebeu dos funcionários do local é que só era possível esperar.

Sem leitos
Diretora do PS, Rosana van der Laan garantiu que pelo menos a medicação e os exames estão mantidos, apesar da falta de leito. “O que aconteceu é que, desde o feriado, os hospitais que cedem leitos ao PS não abriram novas vagas, apenas cerca de um terço do que costumavam liberar. Isso prejudica a rotatividade de pacientes, fazendo com que aconteça a superlotação”, explicou. Além disso, lembra Rosana, o Pronto-Socorro de Pelotas também atende municípios da Zona Sul, como Capão do Leão, São Lourenço do Sul e Pedro Osório, o que aumenta a demanda.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Areal, inaugurada em julho do ano passado, apenas diminuiu a demanda do PS para os casos menos graves. Ao total, a UPA desafogou o Pronto-Socorro uma média de 80 atendimentos diários, conforme Rosana. No PSP, a procura é para atendimentos de urgência e emergência. Rosana também disse que a superlotação deve-se muito às bruscas mudanças de temperatura. “Com o frio, as pessoas adoecem mais e acabam vindo para o PS.”


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