Lava Jato

Temer move ações na Justiça contra Joesley Batista

Em entrevista à revista Época, empresário diz que peemedebista é chefe da "maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil"

19 de Junho de 2017 - 19h04 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Michel Temer em imagem de arquivo; peemedebista protocolou nesta segunda-feira à Justiça do Distrito Federal queixa crime por calúnia, injúria e difamação contra o empresário Joesley Batista nesta segunda-feira, após edição do fim de semana da revista Época em que o dono da JBF disse em entrevista que o atual ocupante do Palácio do Planalto é chefe de quadrilha (Foto: Fotos Públicas)

Michel Temer em imagem de arquivo; peemedebista protocolou nesta segunda-feira à Justiça do Distrito Federal queixa crime por calúnia, injúria e difamação contra o empresário Joesley Batista nesta segunda-feira, após edição do fim de semana da revista Época em que o dono da JBF disse em entrevista que o atual ocupante do Palácio do Planalto é chefe de quadrilha (Foto: Fotos Públicas)

 

A defesa de Michel Temer protocolou na Justiça nesta segunda-feira (19) queixa crime por calúnia, injúria e difamação contra o dono do grupo J&F e delator da Lava Jato, Joesley Batista. A ação será analisada pela 12ª Vara Federal de Justiça do Distrito Federal. Se o magistrado que analisar o pedido entender que há pertinência, será aberta uma ação contra o empresário, que passa a ser réu no processo. Caso contrário, arquiva o caso.

A defesa de Temer também acionou a Justiça de Brasília com processo civil para exigir indenização de Joesley por danos morais. As ações foram apresentadas após a acusação do empresário, em entrevista à revista Época, na edição deste fim de semana, de que Temer chefia "a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil". Na reportagem, o empresário também afirma que ele não fazia "cerimônia" para pedir dinheiro para o PMDB e descreve uma relação de intimidade com o atual ocupante do Palácio do Planalto.

No domingo, após a publicação da entrevista, Temer já havia anunciado que iria à Justiça contra o que chamou de "mentiras" de Joesley. Em nota, o Palácio do Planalto chamou o empresário de "bandido notório". Nesta segunda, em vídeo, Temer afirma, sem citar o nome de Joesley, que "criminosos não sairão impunes" em seu governo.

Na queixa crime, a defesa alega que os ataques de Joesley, que incluem tentativas de atrapalhar a Operação Lava Jato, são baseados em informações falsas, “criadas com o único propósito de abalar a credibilidade do presidente da República”, referido na peça como “homem honrado” que nunca foi condenado.

A ação diz ainda que Joesley passou a incorporar papel de “sério e indignado”, quando, segundo a defesa de Temer, desconsidera que a corrupção o tornou um grande empresário. Lembra que o faturamento da JBS saltou de R$ 4 bilhões em 2007, após os primeiros investimentos que recebeu do BNDES, para R$ 183 bilhões em 2016.

Delação
Joesley foi responsável pela gravação secreta de reunião com Temer que deflagrou a atual crise política, a pior desde que assumiu a presidência. Em um dos trechos do áudio, segundo procuradores da República, Joesley fala que segue pagando propina todo mês a Eduardo Cunha, obtendo a anuência de Temer. A delação precipitou inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar Temer no âmbito da Lava Jato. A suspeita é de que o peemedebista teria cometido os crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça. A relatoria é do ministro Edson Fachin.

Com os desdobramentos do caso, Temer aguarda o provável oferecimento de denúncia contra ele pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A denúncia tem que ser aceita por 342 dos 523 deputados da Câmara para que o Supremo fique autorizado a investigar Michel Temer. A expectativa é de que a denúncia seja oferecida nos próximos dias. Por isso, Temer chegou a cogitar com auxiliares o cancelamento da viagem oficial à Russia e à Noruega, mas decidiu manter o compromisso após o Supremo autorizar a prorrogação das investigações sobre ele.

 


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