Espécie de"Uber"

Motoristas só para elas

Tendência de caronas pagas com motoristas mulheres especializadas no público feminino cresce em Pelotas

18 de Junho de 2017 - 21h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -
O trajeto e o preço são ajustados previamente, por telefone (Foto: Gabriel Huth - DP)

O trajeto e o preço são ajustados previamente, por telefone (Foto: Gabriel Huth - DP)

A sensação de insegurança tem desencadeado serviços específicos para o público feminino em Pelotas. Entre as novidades, uma espécie de “Uber” com condutoras mulheres tem sido divulgada nas redes sociais. Atualmente, pelo menos duas motoristas prestam o serviço. O trajeto e o preço da corrida são estabelecidos previamente, por telefone. Se por um lado a tendência demonstra insatisfação com outros serviços de transporte, por outro, é considerada ilegal pelo Código de Trânsito Brasileiro.

Durante a produção da reportagem, as entrevistadas que trabalham com carona paga preferiram não se identificar. A primeira delas é aposentada, tem 62 anos e vê na atividade uma forma de não cair na monotonia. As corridas são específicas a crianças, mulheres, idosas e portadores de necessidades especiais, e são feitas somente durante o dia. “Tudo que se pode fazer de carro, eu faço. Até ir no supermercado”, diz. No entanto, a motorista mantém um público de conhecidas ou de mulheres indicadas por outros clientes fixos. Sobre a concorrência com os taxistas, a aposentada pensa ter lugar para todos: “O que eu tenho é um diferencial, que é a água gratuita, o carro adaptado para deficientes e a segurança para as mulheres”, descreve.

Outra motorista tem 48 anos e considera a filha como responsável por incentivá-la a entrar no ramo. O motivo: suas amigas costumavam reclamar de abusos por parte de serviços masculinos. Logo, uma condutora mulher viria a calhar. Ela fazia corridas para estudantes, e, em março deste ano, desistiu da empreitada. “Consegui um emprego fixo. O problema era não ser regularizado. Fora isso, era muito tranquilo”, conta.

Já a terceira delas fez a divulgação do serviço nas redes sociais, mas não esperava que “bombasse”, como aconteceu. Ela afirma fazer as corridas, mas em entrevista, determinou: “Evito falar sobre, já que não está legalizado oficialmente”.

Quem usa o carona diz que a segurança fala mais alto. “Ainda mais durante a noite. A gente se sente bem mais confiante com uma mulher”, afirma a técnica em enfermagem Cristiane Rodrigues, sobre o serviço. A estudante Liane Slawski Soares, concorda. Para ela, a preferência não é tanto pelo preço, e sim pelas motoristas mulheres. “Na noite, raramente me sinto segura com um taxista homem, ainda mais se estiver sozinha. Se fosse legalizado seria ótimo”, reflete.

Regularização
Já na capital, o serviço está prestes a ser realidade. O Venuxx, aplicativo semelhante ao Uber, aposta em corridas só para mulheres e tem documentação em trâmite junto à Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC). Agora a empresa aguarda a liberação para entrar em funcionamento; 20 motoristas já estão cadastradas na plataforma. 

A Secretaria de Transportes e Trânsito (STT) do município, quando questionada pela reportagem, informou não conhecer a carona paga. "A princípio, não vejo a prática como ilegal. Pode ser considerado um fretamento, em que o contrato é direto com o cliente", comenta o titular da pasta, Flávio Al Alam. Ele diz que a prática propõe uma grande discussão e que cabe à secretaria analisar profundamente a questão jurídica.
De acordo com a Lei 9503/97, artigo 231 do Código de Trânsito Brasileiro, é necessário que o transportador tenha a devida autorização do Poder Público, através de uma série de requisitos legais. Cabe à pessoa registrar, como fazem as transportadoras ou taxistas. A infração é média, com penalidade em multa e retenção do veículo.


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