Estudo

Pesquisa da UFPel é reconhecida pela OMS

Trabalho sobre desigualdade na saúde é referência mundial e capacita profissionais para contribuir com o acesso universal a tratamentos

16 de Junho de 2017 - 21h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

O professor e epidemiologista Aluisio Barros, um dos coordenadores da equipe interdisciplinar da UFPel que será responsável nos próximos quatro anos por monitorar dados sobre o acesso à saúde principalmente em países mais pobres e com dificuldades históricas em prevenir mortes de mulheres, crianças e recém-nascidos (Foto: Jô Folha - DP)

O professor e epidemiologista Aluisio Barros, um dos coordenadores da equipe interdisciplinar da UFPel que será responsável nos próximos quatro anos por monitorar dados sobre o acesso à saúde principalmente em países mais pobres e com dificuldades históricas em prevenir mortes de mulheres, crianças e recém-nascidos (Foto: Jô Folha - DP)

Contribuir para reduzir os índices de mortalidade materna e infantil em 81 países de todos os continentes é o desafio que está nas mãos de uma equipe de pesquisadores em Pelotas.

Reconhecido mundialmente desde 2009 por seu trabalho em reunir informações e diagnosticar desigualdades, o Centro Internacional de Equidade em Saúde (Iceh) da Universidade Federal (UFPel) tornou-se agora um centro colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Sob a coordenação dos epidemiologistas e professores Aluisio Barros e Cesar Victora, uma equipe interdisciplinar de 20 pessoas será a responsável nos próximos quatro anos por monitorar dados sobre o acesso à saúde sobretudo em países mais pobres e com dificuldades históricas em prevenir mortes de mulheres, crianças e recém-nascidos.

"É um estudo organizado e padronizado em que fornecemos informações que mostram as diferenças existentes quando o assunto é acesso à saúde. Sempre há aqueles que ficam para trás. Essas desigualdades precisam ser identificadas para que se possa reduzi-las", explica Barros. Para isso, o grupo já trabalha com a análise de cerca de 60 indicadores coletados ao redor do planeta que incluem acesso a métodos contraceptivos, planejamento familiar, pré-natal, tipo de parto (cesárea ou normal), vacinação, alimentação, saneamento e índices de mortalidade de mães e bebês. Ao todo, o banco de dados conta atualmente com sete milhões de crianças e três milhões de mulheres.

Com base nesta infinidade de números e informações coletados, o Iceh irá auxiliar a OMS/Opas não apenas a identificar as fragilidades nos sistemas de saúde que provocam mortes e doenças. A ideia dessa cooperação técnico-científica é disseminar mundialmente o conhecimento, apontando boas práticas que já deram resultados e aproximando os países a atingirem até 2030 os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O bom exemplo
Embora ainda possua problemas em seu sistema público de saúde, o Brasil não está entre os principais focos da cooperação entre a OMS e o Iceh da UFPel. Isso porque o país conseguiu bons resultados nos objetivos traçados pela ONU até 2015. Dentre os exemplos citados por Barros e presente nos relatórios está a grande redução da desigualdade no acesso de mulheres a métodos contraceptivos, pré-natal e partos. A partir da combinação de políticas públicas como a criação do Sistema Único de Saúde (SUS, 1988), o Programa Saúde da Família (PSF, 1994) e o Bolsa Família (2004), o acompanhamento médico a gestantes mais pobres subiu de 40% em 1986 para 95% em 2013.

"Nossos estudos destrincham em detalhes os motivos das desigualdades e dos avanços. Em outubro pretendemos lançar nosso primeiro relatório sobre o trabalho que está em curso agora, com a interpretação das novas informações", projeta o coordenador do Iceh.

SAIBA MAIS
Designado no final de maio pela OMS/Opas como centro colaborador na pesquisa sobre equidade em saúde, o Iceh recebe profissionais e pesquisadores de países da América Latina, do Caribe e da África para capacitá-los em busca de redução das desigualdades. O projeto atualmente possui três linhas básicas:

- Coleta e produção de dados referentes a acesso à saúde de mulheres e crianças.

- Análise e interpretação das informações, com produção e publicação em parceria com a OMS/Opas de gráficos e artigos científicos.

- Formação em pós-graduação e treinamento de profissionais para agir na busca de informações sobre acesso à saúde e redução das desigualdades.


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